Responsável pela “revolução da vaquejada”, Roxão é o divisor de águas desse esporte genuinamente brasileiro
 
 
SILVER WILD SLN, “Roxão

Responsável pela “revolução da vaquejada”, Roxão é o divisor de águas desse esporte genuinamente brasileiro


A fama de Silver Wild SLN, também conhecido como “Roxão” (Wild Dash SLN x Dorinha Alamitos SLN), hoje já está mais do que consolidada nas páginas dos esportes equestres. Entretanto, para que sua reputação chegasse ao que é hoje, foi necessária quase uma década de investimentos, treinamento e principalmente crença no futuro sucesso deste cavalo. Foi o que o atual proprietário, o empresário, competidor e criador Jonatas Dantas, fez. Acreditou que este animal tordilho pudesse fazer o que nenhum outro já tinha feito na vaquejada brasileira.

Antes de “Roxão”, a vaquejada era um esporte que não possuía garanhões que reproduzissem a genética que valorizasse o esporte. Os animais que competiam eram todos castrados por uma questão de cuidado e comodidade. “Durante as viagens para as competições, os cavalos ficavam soltos nos piquetes, o que nos obrigavam a castrá-los”, conta Jonatas Dantas.

Em 2001, Jonatas Dantas era um competidor apaixonado de vaquejada quando viu “Roxão” pela primeira vez correndo com seu ex-proprietário Paulinho. “Observando-lhe competir, percebi que ele tinha um futuro brilhante na vaquejada e, mais do que isso, gostaria de levar sua genética campeã para outras gerações, o que ainda não tinha sido feito na vaquejada”, lembra. Foi então que, a partir de sua compra, decidiu, além de continuar treinando para continuar vencendo Brasil afora, vender suas coberturas para os interessados em investir também em genética de vaquejada.

José Iran da Silva, famoso vaqueiro e também ex-proprietário de Silver Wild, foi um dos primeiros a montar na lenda da vaquejada. Quando “Roxão” tinha pouco mais de três anos e meio de idade, em 1997, conseguiu ótimas colocações do Campeonato de Vaquejada, em Lagarto (SE), além de levar para casa um carro como Campeão dos Campeões. “Somenteao observar, já era possível ver o diferencial do Roxão, porém, competindo não tinha como não pensar no seu futuro como campeão de vaquejada”, lembra o vaqueiro Iran.

Foi então que, sete anos atrás, Jonatas Dantas comprou o Silver Wild e, juntamente com seu treinamento e competições, passou a investir na infraestrutura para criar seus cavalos de vaquejada. “Comprei um caminhão com baias para que eles não ficassem soltos e saltassem nos piquetes. Assim, poderia manter o meu objetivo de não castrá-lo enquanto o mantivesse nas competições”, explica Dantas.

Com Jonatas Dantas como proprietário, o primeiro prêmio que Silver Wild levou para casa foi em Itabuna (BA) com o vaqueiro Bibi no comando. A partir disso, somente os melhores vaqueiros do Brasil montaram no cavalo, como João Batista Cabral, Pedro Bó, Macos Mocotó, José Iran da Silva, Everaldo, além do próprio proprietário, Jonatas Dantas, cuja química entre ambos - cavalo e montador - era indiscutível.

Durante apenas três anos de competições, entre 2000 e 2003, Roxão construiu uma vasta lista de prêmios. Entre os mais importantes está o I Circuito Nacional Matruz com Leite, em Caruaru (PE), o qual competindo com Marcos Mocotó, Roxão deu a chance ao seu competidor de levar uma F250 para casa. “Este é um dos motivos que nos levam a admirar este cavalo. Foi com ele que consegui o maior prêmio, além de ser respeitado nesse esporte tão importante para nós, vaqueiros”, conta o já tradicional vaqueiro mineiro Marcos Mocotó.

Roxão foi ganhador de onze automóveis nos maiores campeonatos de vaquejada do Brasil. Entre eles, está o Campeonato Nacional de Vaquejada, Circuito Ford, Circuito Tocantins, Circuito Semente da Terra, além de ser campeão no Parque Padre Cícero, em Juazeiro do Norte (CE), no Parque Zezé Rocha, em Garanhus (PE), e no Parque Meridional, também em Garanhus.

Família de peso

Silver Wild, “Roxão”, ganhou fama por ser o primeiro campeão de vaquejada não castrado da história brasileira. A decisão por se focar, desta vez, apenas na produção veio com a ajuda de amigos vaqueiros, como José Iran da Silva, que também competiu muito com “Roxão”.

“’Roxão’ ganhou uma fama tão rapidamente que fez com que em 2003 cada cobertura sua valesse R$ 13 mil”, lembra Iran. Na época, cada premiação de vaquejada valia em média de R$ 10 mil e, juntando com o fato de que Silver Wild tinha se tornado um cavalo muito valente e poderia até se ferir e ferir a outros animais, Jonatas Dantas concluiu que era a hora de parar com as competições.

Por ter sido o pioneiro em ser competidor e reprodutor, o garanhão Silver Wild ganhou fama também pela sua primeira geração, já na estreia, obter resultados positivíssimos, Seus quatro filhos estrearam no V Potro do Futuro de Vaquejada da Associação Brasileira dos Criadores de Quarto de Milha, em 2007. Calaco Doc Silver AD (com Calaco Dry Doc) foi Reservada Campeã na categoria Aberta como esteira e Special Silver AD (com Kind Special HC) e Doc’s Silver Dash AD (com Doc’s Jane Jav) foram Reservados Campeões também na categoria Aberta, mas como Puxadores.

“Entre seus filhos, hoje, indubitavelmente, o que mais se destaca é o Special Silver, ganhador de vários prêmios chegando a acumular cerca de R$ 350 mil”, conta o orgulhoso Jonatas Dantas, concluindo que seu investimento deu mais do que certo. Motivo de maior orgulho é ainda, quando se contabiliza em reais o recorde de “Roxão”: ele foi o primeiro cavalo de vaquejada a ter suas cotas de coberturas cotizadas em R$ 1 milhão. E mais, seus filhos já somam mais de R$ 3 milhões na venda em leilões de Quarto de Milha.

Perguntando a quem mais entende de vaquejada sobre a prole de Silver Wild, a resposta é rápida e incisiva. “É impressionante como a genética de ‘Roxão’ se tornou em sinônimo de prêmios. O vaqueiro pode corer com qualquer membro desta família que ele levará para casa grandes prêmios pela sua valentia e coragem, herdada de ‘Roxão’”, comprova o vaqueiro Marcos Mocotó. João Batista Cabral, outro vaqueiro de grande renome, afirma a relevância da presença de “Roxão” na genealogia dos Quarto de Milha. “Seus produtos hoje estão honrando o nome de seu pai nas pistas, correndo e vencendo”, conclui Cabral.

Fãs dessa genética devem esperar ansiosamente por este ano, já que a segunda geração de Silver Wild deve estreiar em competições já no segundo semester.

Líder da “Revolução da Vaquejada”

Apaixonados pela vaquejada afirmam que a presença de Silver Wild foi essencial para a valorização do esporte. Como ele foi o primeiro competidor e reprodutor, outros criadores passaram a seguir o exemplo, investindo também energeticamente na genética de vaquejada, melhorando a prática esportiva.
“Quando Jonatas Dantas começou a treinar e levar o ‘Roxão’, a infraestrutura e as premiações, que antes eram defasadas, melhoraram explosivamente”, lembra o vaqueiro João Batista Cabral. Assim, o esporte passou a atrair um número de competidores expressivo levando a um ciclo vicioso positivo.

Segundo o seu proprietário, além dessas justificativas, Silver Wild foi responsável pela chamada “vaquejada-show”. “Como todos sabem, a vaquejada é um dos únicos esportes genuinamente brasileiros e aumentando o prestígio deste é de extrema importância para a valorização da cultura brasileira”, diz Dantas.

“Roxão” é referência para o Quarto de Milha brasileiro, pois se apresentou em todo o país, mostrando seu talento juntamente com os diversos montadores mais experientes. “Nós, vaqueiros, sentimos muita falta desde que ‘Roxão’ deixou de competir, pois qualidade e valentia como as dele dificilmente são encontradas no nosso esporte”, diz Cabral.

Quando o nome de Silver Wild é mencionado dentro do conceito de “Revolução da Vaquejada”, ou seja, as modificações de infraestrutura da prática equestre, o criador Jonatas Dantas afirma este ser o maior presente de um investidor. “Nada é mais valioso do que ver que, além de mim, muitas outras pessoas acreditaram e acreditam neste cavalo”, conta Dantas.

Silver Wild, o “Roxão”, hoje pertence ao Ana Dantas Ranch, localizado no Parque Ana Dantas, em Xerém (RJ).